sábado, 1 de janeiro de 2011

Diário de Bordo da Expedição Austral
Dia 7 - 31/12/2010

Nesse último dia do ano, eu queria te dizer uma coisa:

Nesse ano que passou, eu só descobri a melhor parte da minha vida, você, depois do primeiro semestre inteiro...
É pouco tempo perto dos outros 18,5anos meus de vida... Mas me parecem tanto tempo agora que eu sei como é ter alguém com quem contar...
Alguém pra confiar, e precisar, e ajudar e amar, e viver junto mesmo separado...
Nessa última semana do ano, mesmo estando “separados” eu notei o quanto estamos juntos...
A forma como contamos sempre todas as novidades, dividimos tudo, a forma como a gente respira mais forte com uma sms do outro... Ou fica sorrindo bobo só de falar com o outro...
Meu ano não teria sido o mesmo sem você.
E eu fico muito feliz de poder dizer que nesse ano que passou eu conquistei a coisa que eu mais quis no mundo, mesmo sem saber que queria:
O melhor e mais perfeito namorado do mundo. Pelo qual eu sou completamente apaixonada, e daria tudo na vida para que continuasse ao meu lado para o todo sempre.
Você é meu tudo, meu amor.
Meu porto seguro, meu paraíso na terra, a luz do meu caminho, o embalador do meu sono, meu motivo, meu fim, meu tudo, meu mundo e as batidas do meu coração...
Eu te amo mais que tudo no mundo e na vida, amor.
E nada nem ninguém jamais vai poder mudar isso.
Se eu volto, eu volto por você e por mais nada nem ninguém.
Se eu acordo, ou se respiro, é para poder estar com você no dia seguinte.
E, se por acaso eu estou escrevendo pela primeira vez na vida um diário, é para poder manter você atualizado de tudo que eu vejo e penso.
Isso tudo é por você.
E vai continuar sendo por você enquanto você me quiser na sua vida...
Estou morrendo de saudades suas, e vou voltar ainda mais grudada, carente e necessitada de você do que nunca...
Milhões de beijos para você, amor... E só para você.

E agora, para o diário.

Ontem a noite, quando chegamos no hotel o carro do Pedrão voltou a apresentar problemas, dessa vez na bomba.
Ele e meu pai foram até a ACA (Automovil Club Argentina) e pediram o auxílio de um mecânico, e então, ontem mesmo marcaram com o mecânico de encontrarem-se no hotel às 8h30 - 9h00.
Bom, quando levantamos (depois de uma noite bem dormida enfim, já que era o primeiro hotel sem cheiro de mofo, guardado e etc...) o Pedrão já estava andando de um lado para o outro feito um hiperativo, acho que ele tava nervoso, enfim, tomamos nosso café-da-manhã junto com a família Márcia (Márcia, Tita, Edu, Dani e Marcelo, que foi apelidado de fióte, ou filhote) que era metade self-service e metade controlado.
As bebidas, chá, café, leite ou suco eram self-service, podíamos nos servir do que quiséssemos e do quanto quiséssemos, porém, as torradas e os croissants (que mais uma vez tinham acabado na mesa da Márcia) eram servidos com 2 torradas e 1 croissant para cada pessoa, como nós não tínhamos croissant, ganhamos 1 torrada a mais e 1 alfajor.
Bom, quando deu aproximadamente 9h30, o mecânico ainda não tinha chegado ao hotel e então o Pedrão e o Tita resolveram que tinham que ir até a ACA perguntar do dito cujo...
Não deu nem meia-hora que eles tinham saído o mecânico chegou.
Aí o mecânico teve que ir até a ACA atrás deles.
No final das contas eles ficaram se desencontrando pela cidade um tempão.
Enquanto isso, as mulheres ficaram re-arrumando malas, resolvendo problemas com cartões, olhando mapas, re-calculando tempo e rotas, arrumando-se (e eu fazendo as unhas finalmente) e saíram para fazer as compras...

Aliás, pintei as unhas como eu tinha te dito que ia pintar...
Ficaram bem diferentinhas, mas, eu achei que até que ficou bom....
Coloquei o travesseirinho de fundo porque ele estava o tempo todo da viagem no meu colo, e aí... Queria que vc visse que ele vive perto de mim o tempo todo...
E uma foto do mapa.






Eu sei que não vai dar pra você ler, mas acho que dá pra teruma noção de que caminho estamos fazendo e etc...




Bom, quando saímos para fazer as compras eu tive uqe ficar dando uma de intérprete, pq as mulheres estavam procurando calças de frio e no final não sabiam bem o que queriam (e se elas não sabiam o que queriam, como eu ia saber falar o que elas queriam em espanhol...???) ...
Bom, foi um caos e no final não compraram nada.
Depois disso, encontramos com os homens e fomos almoçar...
Provavelmente foi o alface com milho mais caro da minha vida (pq fora isso só tinha umas comidas cheias de coisas estranhas e carnes).
Bom, depois disso fomos na oficina pegar o carro do Pedrão e eles estavam restaurando uns 4 fiatizinhos antigos desse:




Eram 2 vermelhos, 1 verde e 1 preto.
O sinal de que ele é bem antigo é o fato do motor ficar atrás que nem o fusca.

Depois, voltamos à estrada e andamos até a Aduana de saída Argentina.
As aduanas argentinas são muita confusas...
Elas têm uma fila para cada coisa e no final não usam as coisas do jeito certo...
A fila de passar as pessoas passa o carro, o de passar carro passa as pessoas, o de caminhões e ônibus fica tudo misturado...
Mas, enfim, saímos e não seguimos nem 10km até a aduana de entrada chilena.


Aqui as coisas são um pouco mais organizadas, mas, tb são mais complicadas...
Tivemos que preencher uma fichona alegando não estar levando nenhum tipo de produto de origem vegetal ou animal, e precisa pegar umas 5 filas diferentes para cada coisa.
E depois de todos os papéis preenchidos, ainda segue conosco um fiscal para revistar o carro.
Depois de passar pela aduana rodamos um pouquinho até chegar a balsa para atravessar o Estreito de Magalhães.




Do outro lado já era a Terra do Fogo e estávamos indo em direção à aduana de saída do Chile para voltar para a Argentina.
A paisagem aqui é realmente ainda mais desértica, com mais
paredões de pedras e etc, mesmo estando ainda à “beira” do mar praticamente...







Chegamos até a Aduana de saída chilena, e tivemos de preencher mais um monte de papéis, mas, dessa vez passamos rapidamente.
Rodamos um bom pedaço até chegarmos até a Aduana argentina (e eu estava pensando, se está entre as duas aduanas, de quem é aquela terra e aquelas ovelhas?? Se não forem de ninguém, eu aceito).



Mais uma vez o caos.
O pessoal que trabalha lá já não é muito organizado, aí ainda junta com os jumentos que estão passando por lá...
Tinha uma família atrás de gente que foi pra outra fila (estavam atrás de mim, meu pai e minha mãe, 3 pessoas. E foram para trás da Rê e Drão, 2 pessoas.), depois que TODAS as pessoas que estavam atrás deles já tinham andado o pedaço que eles tinham desocupado eles resolveram voltar (sendo que era uma família de 4 pessoas, era só ficar 2 e cada fila, mas, enfim...) aí eles ficaram assim do lado, atrapalhando quando eu, o Edu e minha mãe fomos sair pq estava BEM NO CAMINHO e não perceberam...
Bom, contornamos os icebergs jumentos e fomos para as outras filas que precisávamos passar (e os icebergs jumentos estavam sem um monte de documentos e ficaram atrapalhando a fila um tempão) e depois, seguimos nosso caminho.





Lá dava para ver toda a formação das camadas de terra nos paredões que ficavam perto da estrada.




Seguimos até um posto, abastecemos e então voltamos para a estrada, vendo nosso primeiro pôr-do-sol na Terra do Fogo, e o último pôr-do-sol do ano.




Apesar de rodarmos e tentarmos bastante, não conseguimos chegar ao hotel para a virada, e então, tivemos uma daquelas idéias que só gente que não é normal tem:
Parar em uma clareira ao lado da estrada de frente para o lago Fagnano (ou algo assim) e estourar lá mesmo as champagnes.
Bom, e que outra chance nós tínhamos de aproveitar a virada se não chegaríamos ao hotel a tempo??
Paramos lá mesmo, descemos dos carros e menos de 5seg depois já estávamos todos dentro dos carros de novo.
A Hilux estava marcando 7 Cº, mas achamos que esse é o mínimo que ela alcança, pq mesmo mais de madrugada não ficou menos que isso, enfim, estava multo frio pq estava ventando gelado e lá era úmido por causa do lago...
Todo mundo começou a se trocar dentro dos carros, tentando colocar mais e mais blusas, hehehehe.
Alguns minutinhos depois, já estavam todos um pouco mais agasalhados e aí saímos, pra olhar ao redor esperando a virada para podermos comemorar e estourar as champagnes, e assim foi.
Quando os celulares da maioria chegou em 00:00 estouramos as champagnes, pegamos uns restos de amendoin e salgadinhos que tínhamos nos carros e comemoramos a virada.


(Por sinal, acho que ainda não me ajeitei direitinho com o modo noturno, ou ele costuma ficar assim mesmo??)

Bom, depois disso, voltamos aos carros e continuamos na estrada por mais 95km até chegar ao nosso hotel.
Hosteria Ailen é o nome, acho...
Bom, entramos mais que rapidamente, nos acomodamos nos quartos, Drão e Rê numa matrimonial, eu, minha mãe e meu pai numa tripla, Márcia e Tita numa matrimonial e Dani, Edu e Marcelo numa quádrupla eles não tinham uma tripla com 3 camas separadas...
E aí, dormimos feito umas pedras.

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