segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Diário de Bordo da Expedição Austral
Dia 3 - 27/12/2010

Hoje, definitivamente, o dia começou todo confuso, ainda mais que o normal.
Levantamos (e digito levantamos meramente por já ter desistido do verbo “acordar”) cedo para podermos tomar o nosso café-da-manhã e sair atrás de um banco para que o Edu tentasse resolver o problema dele com o banco, ainda não resolvido.
Saímos do quarto pouco tempo depois de ouvir o Tita, a Márcia e a Dani saindo do quarto triplo em que estavam e indo acordar o Edu e o Marcelo.
Quando começamos a descer as escadas (os quartos ficavam no primeiro andar) e demos de cara com a Márcia e a Dani, que estavam
subindo falando que o atendente disse que o café só era servido a partir das 7:00.
Olhamos nos relógios e todos marcavam 7:15.
Nós íamos descer para argumentar, mas, a Márcia disse que o Tita já estava lá embaixo discutindo a hora com o atendente... Não deu nem tempo de subir 3 degraus e o Tita subiu correndo:
“Volta pra cama, cambada!!!”
E passou pela gente correndo já voltando pro quarto explicando que era uma hora a menos... Tinha um fuso horário, ou não tinha horário de verão, enfim, sei lá... Traduzindo, eram 6:15 e tínhamos perdido 1hora de sono a toa.
Mais que depressa todo mundo voltou pros quartos e deitou.
Logo que eu deitei bateram na porta... Era o Tita falando para aproveitarnos a hora a mais, já que já estávamos despertos, para darmos uma olhada no mapa e discutir caminhos...
Estavam em dúvida se iam por uma rodovia maior, que provavelmente tinha um asfalto maior, mas, poderia estar mais cheia, ou uma rodovia menor, que teria menos gente, mas corria o risco de ser toda esburacada...
Eu acho que eles resolveram ficar com a maior, mas estava ocupada jogando Mario e não ouvi...
Bom, ele saiu do quarto, o Edu colocou o celular para despertar no horário novo e cochilaram por 15min enquanto eu jogava Mario.
Bom, descemos só nós 3 depois e fomos ver se o café tinha sido servido...
Não tinha sido servido, mas, nunca seria...
Diferentemente dos hotéis do Brasil, que mesmo os mais miúdos têm café-da-manhã self-service, lá vc tinha de apresentar a sua chave para ganhar um papelzinho onde vinha escrito seu quarto e quantas pessoas haviam no quarto...
No “café-da-manhã” vinham 1 torrada para cada pessoa do quarto, 1 croissant salgado, 1 croissant doce e 1 bebida (que poderia ser café com leite, chá, ou chá matte). Ah! E 1 copinho de água.
Tomamos o nosso “café-da-manhã”, terminamos de organizar as coisas, voltamos aos carros e saímos pela cidade procurando um banco Itaú.

Rodamos até o centro e nada. Perguntamos para algumas pessoas que estavam chegando para abrir suas lojas e, nada.
E falando em lojas, os argentinos podem até ser argentinos mas tem MUITO bom gosto para roupas...
Mesmo aquelas lojinhas pequenas, de criação própria e etc, são roupas de verdade, batinhas, camisetinhas, vestidinhos, todos descentes e não só aqueles restinhos de pano que o povo de Santo Amaro adoooooora “vestir”...

Fiquei chocada... As argentinas que estavam na aduana estavam todas bem piriguetes, mas aparentemente aquilo era minoria e não maioria (graças à Deus).
Mas, voltando à cidade de Santa Fé, rodamos até passar por um banco-alguma-coisa de Santa Fé e, após acharmos que aquilo era a melhor coisa que íamos achar, encostamos os carros e Edu, Edu e Tita foram lá...
Pois é.. Falaram que estava uma fila ABSURDA, então só conseguiram sacar alguns pesos e saíram correndo de lá...
Bom, depois disso, seguimos para a estrada para continuar nosso caminho...
Aliás!!! Achamos um Carrefour, acredita?!?!?!?
Existe um aqui!!!
Achei extremamente estranho, mas, enfim.. Tanto faz.. Se ter um aqui faz os argentinos felizes...

Até que a Argentina não é tão ruim, viu, amor???
Assim, nas estradas que ficam próximas de cidades, mesmo pequenas, o sinal fica mais tempo presente (não que fique estável, mas, ele dura mais tempo) do que no sul do Brasil...
E também, mesmo no hotelzinho chumbrega que estávamos a wireless estava até boa... Deu para upar os outros diários e com fotos... Mas, ela é meio decadente...
Chega a dar um pouco de dó, sabe???
O Hotel onde estávamos era todo enfeitado com espelhos, pinturas, etc, como aqueles mais chiques dos tempos da brilhantina, sabe?

Mas estava todo sujinho, envelhecido, com algumas coisas quebradas, não-enceradas e sem brilho, alguns pedacinhos sem espelho...
Parecem aqueles hotéizões que ficam abandonados com o tempo e acabam ficando cada vez mais largados até a hora que acabam fechando por algum motivo...
Aliás, falando no hotel, notei algo super estranho, as fechaduras das portas eram todas na horizontal... Será que são todas assim aqui na Argentina???

Vou procurar descobrir.. Se eu me lembrar.... Bom, minha memória é meio meia-boca, mas, vou tentar lembrar...
Sei lá.. Dá dó....
Bom, paramos num posto para abastecer que estava para lá de lotado e acabamos descobrindo que a população mais folgada da Argentina não são os playboyzinhos como em Sampa... São aqueles caras de +- 40 anos que já se acham fodões em tudo e querem tirar proveito de todo mundo...
Estávamos na fila do posto e chegou um desses tiozinhos querendo entrar na nossa frente...
Aí minha mãe ficou com cara de tacho, sem saber o que fazer (pq o Edu estava no banheiro) e eu tive que mandar ela ir junto.. Parar do lado que se precisasse a gente tirava o cara do caminho na porrada.
Não foi preciso, depois que ele viu que a gente num ia deixar ele passar ele saiu do lado e foi para a fila como o resto das pessoas.
Bom, sei lá.. Passamos tanto tempo naquela fila chata... Estou sentindo tantas saudades...
Continuamos nosso caminho até um posto na entrada da cidade de Lincoln (não faço sequer idéia de como se escreve isso), paramos lá para abastecer e comer alguma coisa já que essa cidade é aparentemente mais industrial, num tinha ninguém na rua e só industrias ali assim na entrada...
No posto havia 1 bar, fechado, 1 restaurante, mais obscuro e assustador do que a mansão do terror (segundo o Edu e o Marcelo) e 1 lojinha de conveniências...
Acabamos resolvendo comer um sanduba da lojinha mesmo...
Só tinha uns sandubas prontos muito estranhos e embalados, mas, resolvemos comer isso mesmo, pq só tinha isso...


Eu, minha mãe e o Edu pegamos sandubas de maionese, queijo e presunto.
Marcelo e Edu pegaram uns sandubas com milanesa, e o Edu nem conseguiu comer a milanesa inteira dele, arrancou ela do sanduba na metade...
Márcia, Dani e Tita pegaram sandubas de queijo, maionese e salame, eu acho...


Depois disso, seguimos nosso caminho, e eu comi um “Kinder Sorpresa” (aqui não é Kinder Ovo), aliás, eu descobri que o potinho de dentro do Kandir ovo aqui é coloridinho! O potinho de dentro desse é amarelinho!!!




Bom, a paisagem da Argentina continua chata com plantações de nada além de vacas...



Bom, só porque eu
reclamei (o que acontece com até certa freqüência) a paisagem da Argentina se transformou para algo que eu acredito que vc vá gostar...




Milhões de campos de girassol apareceram do nada no nosso caminho.. Lembrei tanto de você...




E senti tantas saudades...






Chegamos então na província da Patagônia...











Entramos na cidade de Santa Rosa, a cidade é mais simples que Santa Fé, onde passamos a noite de ontem... As mulheres já se vestem mal de novo, as crianças já parecem estar treinando para usar micro-saias e parecemos estar de volta a Santo Amaro...
As lojas fechadas e ainda assim um bando de gente olhando já que deixam tudo aceso e ligado...
É uma cidade meio... Sei lá... Baixo Astral..
O Hotel é ajeitadinho, mas os quartinhos são minúsculos e eles “não tinham vagas” para novos hóspedes (vagas para carros, não quartos)...

Bom, até aí, tudo bem, né?
Acontece que o nosso quarto é bem do lado do estacionamento e advinha?
Só tinham 3 carros lá... Nós achamos é que eles não tinham vagas para carros brasileiros...
Bom, ficamos empubescidos pq por causa disso tivemos que deixar os carros num estacionamento que é preciso deixar a chave o que já deixou eu, Tita e Márcia quase socando o pessoal desse hotel...
Os argentinos daqui devem ter um nível sócio-econômico-cultural absurdamente baixo.
São burros, de má-vontade, preconceituosos e são incapazes de notar que não estão nos fazendo favor nenhum...
Muito pelo contrário, que estão recebendo pelo trabalhinho meia-boca que estão fazendo...
Bom, saímos para jantar e andamos para caramba até achar algo aberto, e lá, advinha?
Mais preconceito...
Chegamos, escolhemos, pedimos e umas 3 famílias que chegaram e pediram DEPOIS de nós foram servidos antes...
A filha-da-putagem dessa gente já tava estressando todo mundo...
Até pq, pedimos a conta e o garçom saiu, foi até o balcão e voltou sem nada nas mãos: “Dá tanto...”
Poxa!!!! Como assim vc fala o valor e não trás comprovante nenhum?!?!?!??!
Tivemos que fazer o cara ficar refazendo as contas na nossa frente e para isso ele não tinha nenhum documento dele, NEM A COMANDA COM OS NOSSOS PEDIDOS!!!!!
Ele virou e: “Ah, ta bom, o que vcs pediram??”
E foi um tal de fala, divide, repete, ajeita...
Ainda assim deu um valor maior que o valor que ele tinha dito da primeira vez, e a gente acha que ainda ta errado, mas, estávamos com o saco tão cheio de tudo aquilo que resolvemos sair logo de lá...
Mas a filha-da-putagem da cidade ainda não tinha acabado... Eemos que deixar as chaves do hotel ao sair e quando saímos o ar-condicionado de todos os quartos estavam funcionando...
Quando voltamos o ar-condicionado do quarto da Márcia não ligava de jeito nenhum e a mulher num quis ir ver. Só quando a Márcia começou a falar mais alto e a ser sínica que a mulher mandou o ajudantezinho dela ir lá dar uma olhada...
Eu não sei no que deu pq já estava aqui em baixo usando o computador para terminar de digitar aqui e tentar falar com vc, amor...
Bom, vai dar um rolo aqui amanhã que eu não quero nem ver, mas, o jeito é esperar para ver o que acontece, te aviso amanhã pelo diário...
Agora, é só fechar o note, subir e cair na cama...
E ignorar essa cambada de argentino.

E, por sinal, tinha esquecido da melhor parte da volta, quando estávamos passando por um barzinho na frente da praça eu senti algo se roçando nas minhas pernas enquanto eu andava, fui olhar e advinha!!!!
Era um lindo filhotinho de labrador preto!!!
O nome dele era Susu. Não consegui tirar fotos pq ele não parava quieto e estava pulando tentando subir no meu colo, mas, ele era todo fofo e meigo e carinhoso e dengoso, com aqueles olhos puros e expressivos...
Lembrei de você e do Toninho aquele dia em Salto, e me deu ainda mais saudades...
O Tita disse que é pq os cachorros sabem quem tem o coração mole, que vai abaixar, pegar no colo fazer carinho, e realmente, eles tb vão direto na Márcia, mas, o filhotinho nem deu bola para ela, só ficou pulando em volta de mim, e foi super difícil de fazer ele voltar pra moça que tava tomando conta do bar lá...
Foi engraçado... Tava me sentindo tão triste, acho que o cachorrinho mudou isso para saudades suas..
Te amo muito.. E mal vejo a hora de voltar para os seus braços...

3 comentários:

  1. Campos de GIRASSOOOOL!!!!! :) Caramba, amor, que perfeito? Ta vendo, nem tudo é ruim na Argentina! Hahahahah! XD

    E então o povo é mesmo que nem falam, hein? Que saco... =/

    Achei super-fofa a história do cachorrinho... e conta no outro post o que que deu a briga da Márcia!

    MAnda bjos pra todo mundo por aí!
    To morrendo de saudade!
    Bjos do seu, sempre seu e só seu,
    Carlos "Charles"

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  2. ah, sim, outra coisa: volta e meia nos seus relatos tem "daí eu fiquei jogando Mario" - hahaha, que bom, amor, acho que isso quer dizer que vc gostou do jogo, né? =D

    Te amo mt!
    Bjão!!!

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  3. Claro que sim!!!!
    Ameeei o jogo, bobo!!!
    Ele é muuuito legal *0*

    Apesar que te amo mais.. E você é mais legal, mas, deu pra entender, né?
    Eu gostei do presente...

    Te amo muuuiito.
    Beijões!!!

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