quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Diário de Bordo da Expedição Austral
Dia 6 - 30/12/2010

Levantamos mais tarde hoje, pois estavam todos uns trapos. Tomamos o café-da-manhã, que hoje eram uma xícara de café-com-leite ou um copo de suco e um croissant salgado e um doce para cada um.
O Gerson (um dos mecânicos dos cabeçudos, aquele que tem a oficina-café e marido da Silvia que tem o café-oficina) postou no blog da Márcia que o Pedrão havia chegado na mesma cidade que nós e tinha nos passado o nome do hotel em que ele estava (pois o telefone do Pedrão não estava funcionando), e por isso, começamos a caça ao Drão para tentar seguir o caminho com ele.
Esperamos lá por algum tempo, enquanto eu tentava postar o diário de ontem sem muito sucesso até a hora que eles desistiram de esperar (e achando que a recepcionista do outro hotel não tinha passado nosso recado à ele) e resolvemos ir até o hotel dele.
Quando chegamos na porta ele chamou pelo rádio falando que estava indo para o nosso hotel nos encontrar..
Mandamos ele voltar imediatamente para o hotel em que ele estava e enquanto esperávamos, eu descobri alguns gatinhos numa casa ao lado do hotel, junto de um morro ali que fazia o fundo...



Então, quando ele chegou, nos contou que estavam rodando 24hrs por dia.
Enquanto a Rê dirigia de noite, o Drão dirigia de dia, e foram fazendo assim parando algumas vezes para cochilar umas 2hrs em alguns postos no caminho, mas, só isso...

(Loucos, eu sei.. Eu amo carros, mas... Poxa, também não precisa exagerar..)
Bom, voltando ao nosso caminho.. A Argentina agora já está desértica.
Existem algumas vegetações e animais ainda, mas percebe-se que é aquela vegetação baixa que nasce em areia e etc....




É engraçado pois estávamos bem na beira do mar e ainda assim, o outro lado é verdadeiramente desértico.




Durante o caminho nós encontramos mais guanacos (se vc ler guatacos, guanecos ou guatecos em algum lugar,
entenda que estou falando dos guanacos e que troquei o nome dos bichinhos...), emas e ovelhas na beira da estrada.





Guanacos


















Emas



















Ovelhas


















Paramos num posto para tentarmos almoçar, mas, mais uma vez estava tarde e não havia nada...
Resolvemos pedir um sanduba, mas demorava meia hora para sair cada um (e somos 10 pessoas agora)...
Então, resolvemos pegar o que tinha lá mesmo: uns pedaços meio velhos de pizza (não velhos de velhos, mas, já frios e etc...)...
Assim...
Não estava ruim não, sabe? Até pq tinha um microondas lá e nós esquentamos... Mas aquela pizza não me caiu muito bem...
Acabou me deixando um pouco enjoada e como já não tinha dormido ontem eu acabei virando de lado no banco de trás, abraçando com força o travesseirinho com as nossas fotos, e dormi.
Eu dormi até que bastante tempo.. Eu acho que mais ou menos umas 5hrs (o que não é muito, mas, dormir direto 5hrs sem acordar nem pra mudar de posição é bastante).
Quando eu sentei me sentindo um pouco melhor meus pais me contaram que passamos por um grupinho bem pequeno de flamingos, mas, que não tiraram fotos...
É, pois é.. Deviam ter tirado, eu concordo...
Enfim, seguimos nosso caminho até a cidade em que estamos agora:
Rio Gallegos. O hotel onde estamos é bastante simpático, ajeitadinho e gostoso. É bem organizado e limpo, e não apresenta aqueles sinais de decadência dos outros hotéis das outras noites, acho que talvez aqui tenha mais turismo por estar mais ao sul e talvez tenha mais gente que vem de avião??
Bom, não sei, mas, gostei bastante desse hotel...



Diário de Bordo da Expedição Austral
Dia 5 - 29/12/2010

Levantamos morrendo de calor, uma vez que o sol estava quente apesar do vento gelado e que não tinha dentro da barraca.
Arrancamos fora os sacos de dormir, as meias e mais que depressa vestimos de volta nossas roupas.
Montamos as mesas e tomamos café da manhã em frente às barracas.




Re-montamos os carros, e saímos do camping para abastecer. Demos uma olhadinha melhor na cidade que por ser puramente turística é bem bonitinha, cheia de animais e todo tipo de lojinhas de artesanatos, lembrancinhas e tudo o mais.














E então, pegamos as estradas dentro do parque para fazermos os nossos passeios de hoje ainda lá dentro (são os primeiros e acredito que os únicos antes de chegar ao Ushuaia),
estávamos na Península de Valdes, é praticamente uma ilha conectada no continente por um braçinho de terra, e dessa “ilha” poderíamos ir aos 3 pontos onde poderíamos ver os animais...

No caminhos encontramos algumas ovelhas, vaquinhas, guanacos (um tipo de llama com menos pêlo e menorzinho) e uns pseudo-pássaros que eu acho que eram codorninhas... Não tenho idéia...


Teoricamente os guanacos ficam no leste, onde é menos frio, e as llamas no oeste, onde é mais frio...Acho que vamos ver algumas na volta....
Bom, voltando aos passeios que estávamos indo.... Amor, você não vai acreditar....



ACHAMOS OS PINGUINS!!!!!












Eles são tão pequenuchinhos e lindinhos....
(Ah! São pingüins de Magalhães, caso vc queira saber que tipo de pingüins são. O Pinguins Imperadores são maiores.)
E estavam tão pertinho (e produzindo filhotinhos, que só eram 2 por enquanto, mas eram ainda mais lindinhos do que os adultos) e deu uma vontade de sentar lá e ficar esperando eles fazerem gracinhas...
Um deles estava fazendo barulho, e realmente o barulho que eles fazem é semelhante è uma buzina de carro... É tão bonitinho como eles se esticam para fazer barulho... Uma pena que não consegui uma foto pq quando percebi qual era ele parou de fazer barulho...
A maioria estava mais perto de nós, em cima do mirante, mas tinham alguns na praia, alguns até nadando....












Sabe, observando os pingüim eu me lembrei do pq de ter escolhido Design Gráfico ao invés de comunicação nos vestibulares, era para aprender a tirar fotos com aquelas máquinas fodásticas e poder tirar aquelas fotos lindas dos postais...
Sei lá... Acho que poderia passar a vida toda tirando fotos dos pingüins se fosse perto de casa e pudesse estar com você...
Você é de longe muito mais importante do que os pingüins, mas, você tinha que ver como são bons modelos, tenho certeza que também ia adorar fotografar eles....
Bom, depois de sairmos dos pingüins fomos na direção da segunda ponta da ilha, mas nem 5km mais para frente havia outro mirante e paramos lá para ver o que era:
Lobos (ou leões, ou elefantes, enfim, achamos que lobos pq pareciam focas mas não tinham aquelas presas do Leôncio) Marinhos!!!
Eles parecem umas focas, mas, são maiores e mais gorduchos.

Quando chegamos tinha apenas um, que dava um, que dava uns 3 empurrões para fora da água por vez e logo depois já se jogava na área de cansaço, ou preguiça...

Demorou um pouquinho e chegou mais um, e aí eles começaram a namorar (achamos) pq depois deitaram abraçadinhos.





Então, seguimos até a segunda ponta e achamos uma verdadeira manada, ou matilha? Bom, enfim, um grupo gigantesco deles!!!



E aí, quando estávamos indo embora, mais uma novidade!!!
Uma raposinha estava tentando roubar comida da cozinha do restaurantezinho que ficava naquela ponta da ilhota!!!














Bom, aí depois, seguimos até a terceira ponta da ilha, porém, lá não conseguimos nem sequer chegar perto, já na estradinha que virava para aquele lado havia uma placa de “solamente para hóspedes”...
Pois é, não conseguimos nem chegar perto da terceira ponta da ilha...
Então, um tanto quanto revoltados e cabisbaixos, pegamos a estrada para sair do parque e ir em direção à próxima cidade.


Antes mesmo de chegarmos à Puerto Madryn, a Hilux do Tita começou a fazer um barulho estranho nas rodas.
Paramos num posto, que nos indicou uma oficina de suspensões, que por sua vez nos indicou uma oficina de freios, que por sua vez simplesmente disse que não podiam fazer nada.
E acho que indicaram uma outra, mas, o Tita simplesmente resolveu que pela má vontade deles ele mesmo, junto dos Edus ia tentar descobrir o que estava acontecendo...
Encostamos numa calçada e enquanto Tita, Edu e Marcelo tiravam tudo de dentro da Hilux para poderem entrar dentro e debaixo dela, eu, minha mãe, Edu, Dani e Márcia fomos até um Carrefour que tinha na esquina para comprar alguma coisa para comermos já que já passavam das 16:00 e ainda não tínhamos comido nada.
Fomos até o Carrefour, compramos uma garrafa grande de Coca, cerveja, pães de forma, queijo e salame fatiados, copinhos descartáveis, guardanapos e voltamos para onde estavam os outros.
Dani, Márcia e minha mãe começaram a preparar os lanches, Edu se juntou ao outro Edu, Tita e Marcelo xeretando a Hilux e eu fui tentar te ligar.
Comemos os sandubas na calçada mesmo, sentados no chão e encostados no muro de um alguma coisa que tinha lá.
Márcia e Marcelo se entortaram na cerveja (okay, brincadeira, com excessão da futura vontade de fazer xixi a todo instante, eles estão ótimos), Dani, Edu, Tita, minha mãe e o Edu foram de Coca, e eu fiquei com a água que tinha no carro, fazer o quê?
Os meninos não descobriram nada de errado na Hilux (e chamo eles de meninos pq estavam os dois Edus e o Tita pulando dentro e deitando embaixo da Hilux feito crianças no parquinho) e então, não nos restou muita escolha senão voltarmos para os carros e voltarmos a rodar a estrada para tentar chegar até Comodoro Rivadavia.
Rodamos, rodamos, rodamos e rodamos e enfim conseguimos chegar à Comodoro Rivadavia.
A cidade é maior do que a maioria das que já passamos, e talvez por termos chegado tarde só dava para ver o pessoal que estava indo e voltando acho que das danceterias, ou sei lá, algo assim...
Os hotéis ou estavam todos lotados ou eram pequenos, em todos que passamos haviam apenas 2 ou 3 quartos vazios, eram todos bem carinhos e mais simples.
Não exatamente simples, mas menores no sentido de mais “nas coxas”...
Nesse ao menos temos internet, porém, só no hall de entrada e no salão do primeiro andar... Temos só quartos duplos e vamos ficar com a divisão de sempre, os dois casais, Edu e Marcelo, eu e Dani.
Agora, só tomar banho e correr pra cama.

Diário de Bordo da Expedição Austral
Dia 4 - 28/12/2010

Levantamos, nos arrumamos e fizemos as malas, com tudo pronto, descemos para tomar café-da-manhã...
O café de hoje era mais semelhante ao que tínhamos no Brasil, mais simples, mas, no mesmo estilão...
Um self-service com bolachinhas salgadas redondinhas, umas torradas que passaram (bastante) do ponto e uns croissants doces e salgados. Sucrilhos, leite, café, suco de laranja e água para fazer chá. Manteiga (aqueles potinhos já prontos que os hotéis sempre compram, sabe?), doce de leite e eu acho que só...
Na salinha do café-da-manhã tinha uma caixa-registradora antiguíssimas, mas, super bonitinha...

Depois do café a Márcia e família resolveram atualizar o blog o que causou certo caos já que ela ainda não tinha o diário escrito...
Foi um tal de filho procurando foto, anotação, descobrir que “Ruta” (rota) estávamos, qual os nomes dos postos que paramos, restaurante e etc....
Bom, o problema é que, como os diários dela são mais detalhados,
estavam todos correndo de um lado para o outro e estressados, pq, como a Márcia não gosta de atrasar, ela mesma acabou ficando um pouco nervosa com a situação...
Enquanto eles resolviam tudo isso, como eu já tinha upado o diário de ontem, saímos um pouquinho para a calçada na frente do hotel para ver melhor como era a cidade, mais uma vez, o hotel que paramos era na frente de uma praçinha...


Acho que hotéis em frente à praças nos perseguem...
Bom, depois do fim do estresse, quando ela conseguiu atualizar o blog, saímos do hotel e voltamos para a estrada!





A paisagem mudou de novo, parou com os encharcados, as plantações de vaca, e de girassol
O mato aqui parece mais seco, mais árido, até pela cor da terra, conseguimos ver poucas vezes algumas emas (uma ave parecida com um avestruz), mas como elas não ficam em “bando” não dá tempo de pegar a máquina quando a vemos e nem tem como notá-la com uma distância suficiente para pegar a câmera...
Continuamos “seguindo reto até o fim da vida” e a estrada não acabava nunca, pegamos um trecho bem comprido da mesma estrada, que ia reto, reto, reto, reto, reto, até termos de parar na FunBaPa (Fundación Barrera Zoofitosanitaria Patagônica - é, eu também não sei aonde foi parar a inicial ou sigla para o Zoofitosanitaria em FunBaPa).
Traduzindo: É um tipo de barreira na rodovia onde todos os veículos têm de parar para responder algumas perguntas, terem os carros “revistados” e etc...
O motivo disso tudo é a coisa mais idiota do mundo: Manter aquela região livre de moscas de frutas e “febre aftosa”.
Contra a febre aftosa eu até concordo ser uma coisa boa e interessante, mas o Brasil é cheíssimo de frutas e nem por isso temos que viver fugindo delas...
Bom, eles tinham uma lista enorme de frutas que não poderiam passar daquele ponto e teoricamente nenhum produto de origem vegetal (carnes, leites, ovos e etc) também.


Para esses produtos entrarem nessa área só com a autorização de num-sei-quem-lá que seria para reabastecimento da região e só com registro num-sei-aonde...
Eles xeretaram os nossos porta-malas e etc, mas, não tivemos nenhum problema muito grande, depois de Edu e Tita conseguirem encaixar tudo de novo nos carros, seguimos nosso caminho até o próximo posto...
Lá estava uma fila GIGANTESCA, mas,
felizmente, somente para as bombas de gasolina, as de diesel estavam vazias, porém foi difícil de arranjar um frentista, já que eles estavam ocupados atendendo o povo da gasolina...
Bom, as mulheres foram usar o banheiro e comprar tranqueiras na loja de conviniência enquanto os homens abasteciam os carros e alguns galões extras que trouxemos (os postos estão cada vez mais distantes um dos outros e o Tita estava ficando preocupado em acabar ficando sem diesel no meio do caminho).
Não seguimos nem 100m depois disso e o pessoal resolveu parar para almoçar.


O restaurante era bem simpaticozinho, e não demorou muito para levarem a comida, bebi uma “7up” que acho que nunca tinha tomado e só tinha ouvido falar que era da infância do Edu...

Depois de enchermos a pança seguimos o nosso caminho para tentarmos chegar em Puerto Pirâmide.
No caminho a plantação começou a desaparecer de novo, e eu acho que é por causa do frio, ele começou aos poucos, primeiro com o vento, depois todo o ar ao redor... Foi aos pouquinhos tomando conta....


Joguei Mario, dormi, joguei mais Mario e algo novo aconteceu:
Eu travei no Mario.
Sim, sim : TRAVEI.
É... É uma ofensa ao meu orgulho de membra honorária do clube de jogar Mario, mas... Existe alguma passagem que eu não passei..
Existem 8 mundos, sendo que para liberar os mundos 4 e 7 é necessário encontrar passagens secretas nos castelos finais dos mundos 3 e 5.
Eu fiz isso.
Liberei todos os mundos, passei por todas as fases dos mundos 1 à 6, não com todas as Star coins, mas, com pelo menos 90% delas, e aí: Poft!
No final do mundo 7, umas 3 a 5 fases antes do castelo final: travei.
Terminei todas as fases que já abri, mas o caminho não abriu...
Mas, como já tinha terminado todo o mundo 6, fui pro mundo 8 para tentar ir fazendo na frente...
Fui até o mundo 8 e passei todas as fases, parando só antes do último castelo, pq não queria terminar o jogo sem terminar pelo menos uma vez (nem que seja sem todas as moedas) todas as fases....
Aí, quando fui me distrair voltando a tirar fotos e a bateria da máquina acabou...
Acho que pra compensar o fato do frio (que só eu queria tão desesperadamente) vir, eu tive que ficar na mão com algumas coisas...
Chegamos na entrada de Puerto Pirâmide e descobri que a cidade inteira fica dentro de um parque de preservação, ou seja: tinha que pagar entrada...
O lado bom é que tinham ovelhinhas, e uns bichinhos que parecem um cervo, mas com pelagem de lhama por causa do frio, e algumas emas...
Bom, pagamos e começamos a descer o morro para chegar até o Vale em si...
Fiz de tudo para tentar achar sinal de celular e te ligar, mas, já desde a entrada não tinha nada...
Paramos num hotelzinho para tentar achar quartos, mas, por causa do frio já estavam quase todos lotados, e então, fomos para o camping...
Enquanto Edu, Edu e Tita procuravam um bom lugar para colocar as barracas, Márcia, Marcelo, Dani e minha mãe estavam começando a trocar os shorts por calças (eu já tava de calça! Háhá! Num passei tanto frio. Blá!!) e eu estava conversando com a mulher da entrada perguntando se haviam telefones públicos ou internet wi-fi.
Os argentinos daqui já são melhores de novo, mais educados e com melhor boa-vontade... Deve ser por não ser uma cidade grande...
Ela me disse que tinha um telefone público no centro, mas, minha mãe queria ir andando até lá a pé e eu não achei muito seguro... Já estava meio preocupada com o camping...
A internet ela disse que às vezes pegava no camping mesmo, era questão de sorte, e assim fui lá pra calçada do quiosquinho da entrada para te esperar! Heheheheh!!!
Foi assim que cheguei lá....
Agora é só comer a janta que a Márcia está fazendo para nós 8 (os 5 do carro dela + nós 3), pular para dentro dos pijamas, depois para dentro dos sacos de dormir e por último para dentro das barracas para tentarmos dormir...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Diário de Bordo da Expedição Austral
Dia 3 - 27/12/2010

Hoje, definitivamente, o dia começou todo confuso, ainda mais que o normal.
Levantamos (e digito levantamos meramente por já ter desistido do verbo “acordar”) cedo para podermos tomar o nosso café-da-manhã e sair atrás de um banco para que o Edu tentasse resolver o problema dele com o banco, ainda não resolvido.
Saímos do quarto pouco tempo depois de ouvir o Tita, a Márcia e a Dani saindo do quarto triplo em que estavam e indo acordar o Edu e o Marcelo.
Quando começamos a descer as escadas (os quartos ficavam no primeiro andar) e demos de cara com a Márcia e a Dani, que estavam
subindo falando que o atendente disse que o café só era servido a partir das 7:00.
Olhamos nos relógios e todos marcavam 7:15.
Nós íamos descer para argumentar, mas, a Márcia disse que o Tita já estava lá embaixo discutindo a hora com o atendente... Não deu nem tempo de subir 3 degraus e o Tita subiu correndo:
“Volta pra cama, cambada!!!”
E passou pela gente correndo já voltando pro quarto explicando que era uma hora a menos... Tinha um fuso horário, ou não tinha horário de verão, enfim, sei lá... Traduzindo, eram 6:15 e tínhamos perdido 1hora de sono a toa.
Mais que depressa todo mundo voltou pros quartos e deitou.
Logo que eu deitei bateram na porta... Era o Tita falando para aproveitarnos a hora a mais, já que já estávamos despertos, para darmos uma olhada no mapa e discutir caminhos...
Estavam em dúvida se iam por uma rodovia maior, que provavelmente tinha um asfalto maior, mas, poderia estar mais cheia, ou uma rodovia menor, que teria menos gente, mas corria o risco de ser toda esburacada...
Eu acho que eles resolveram ficar com a maior, mas estava ocupada jogando Mario e não ouvi...
Bom, ele saiu do quarto, o Edu colocou o celular para despertar no horário novo e cochilaram por 15min enquanto eu jogava Mario.
Bom, descemos só nós 3 depois e fomos ver se o café tinha sido servido...
Não tinha sido servido, mas, nunca seria...
Diferentemente dos hotéis do Brasil, que mesmo os mais miúdos têm café-da-manhã self-service, lá vc tinha de apresentar a sua chave para ganhar um papelzinho onde vinha escrito seu quarto e quantas pessoas haviam no quarto...
No “café-da-manhã” vinham 1 torrada para cada pessoa do quarto, 1 croissant salgado, 1 croissant doce e 1 bebida (que poderia ser café com leite, chá, ou chá matte). Ah! E 1 copinho de água.
Tomamos o nosso “café-da-manhã”, terminamos de organizar as coisas, voltamos aos carros e saímos pela cidade procurando um banco Itaú.

Rodamos até o centro e nada. Perguntamos para algumas pessoas que estavam chegando para abrir suas lojas e, nada.
E falando em lojas, os argentinos podem até ser argentinos mas tem MUITO bom gosto para roupas...
Mesmo aquelas lojinhas pequenas, de criação própria e etc, são roupas de verdade, batinhas, camisetinhas, vestidinhos, todos descentes e não só aqueles restinhos de pano que o povo de Santo Amaro adoooooora “vestir”...

Fiquei chocada... As argentinas que estavam na aduana estavam todas bem piriguetes, mas aparentemente aquilo era minoria e não maioria (graças à Deus).
Mas, voltando à cidade de Santa Fé, rodamos até passar por um banco-alguma-coisa de Santa Fé e, após acharmos que aquilo era a melhor coisa que íamos achar, encostamos os carros e Edu, Edu e Tita foram lá...
Pois é.. Falaram que estava uma fila ABSURDA, então só conseguiram sacar alguns pesos e saíram correndo de lá...
Bom, depois disso, seguimos para a estrada para continuar nosso caminho...
Aliás!!! Achamos um Carrefour, acredita?!?!?!?
Existe um aqui!!!
Achei extremamente estranho, mas, enfim.. Tanto faz.. Se ter um aqui faz os argentinos felizes...

Até que a Argentina não é tão ruim, viu, amor???
Assim, nas estradas que ficam próximas de cidades, mesmo pequenas, o sinal fica mais tempo presente (não que fique estável, mas, ele dura mais tempo) do que no sul do Brasil...
E também, mesmo no hotelzinho chumbrega que estávamos a wireless estava até boa... Deu para upar os outros diários e com fotos... Mas, ela é meio decadente...
Chega a dar um pouco de dó, sabe???
O Hotel onde estávamos era todo enfeitado com espelhos, pinturas, etc, como aqueles mais chiques dos tempos da brilhantina, sabe?

Mas estava todo sujinho, envelhecido, com algumas coisas quebradas, não-enceradas e sem brilho, alguns pedacinhos sem espelho...
Parecem aqueles hotéizões que ficam abandonados com o tempo e acabam ficando cada vez mais largados até a hora que acabam fechando por algum motivo...
Aliás, falando no hotel, notei algo super estranho, as fechaduras das portas eram todas na horizontal... Será que são todas assim aqui na Argentina???

Vou procurar descobrir.. Se eu me lembrar.... Bom, minha memória é meio meia-boca, mas, vou tentar lembrar...
Sei lá.. Dá dó....
Bom, paramos num posto para abastecer que estava para lá de lotado e acabamos descobrindo que a população mais folgada da Argentina não são os playboyzinhos como em Sampa... São aqueles caras de +- 40 anos que já se acham fodões em tudo e querem tirar proveito de todo mundo...
Estávamos na fila do posto e chegou um desses tiozinhos querendo entrar na nossa frente...
Aí minha mãe ficou com cara de tacho, sem saber o que fazer (pq o Edu estava no banheiro) e eu tive que mandar ela ir junto.. Parar do lado que se precisasse a gente tirava o cara do caminho na porrada.
Não foi preciso, depois que ele viu que a gente num ia deixar ele passar ele saiu do lado e foi para a fila como o resto das pessoas.
Bom, sei lá.. Passamos tanto tempo naquela fila chata... Estou sentindo tantas saudades...
Continuamos nosso caminho até um posto na entrada da cidade de Lincoln (não faço sequer idéia de como se escreve isso), paramos lá para abastecer e comer alguma coisa já que essa cidade é aparentemente mais industrial, num tinha ninguém na rua e só industrias ali assim na entrada...
No posto havia 1 bar, fechado, 1 restaurante, mais obscuro e assustador do que a mansão do terror (segundo o Edu e o Marcelo) e 1 lojinha de conveniências...
Acabamos resolvendo comer um sanduba da lojinha mesmo...
Só tinha uns sandubas prontos muito estranhos e embalados, mas, resolvemos comer isso mesmo, pq só tinha isso...


Eu, minha mãe e o Edu pegamos sandubas de maionese, queijo e presunto.
Marcelo e Edu pegaram uns sandubas com milanesa, e o Edu nem conseguiu comer a milanesa inteira dele, arrancou ela do sanduba na metade...
Márcia, Dani e Tita pegaram sandubas de queijo, maionese e salame, eu acho...


Depois disso, seguimos nosso caminho, e eu comi um “Kinder Sorpresa” (aqui não é Kinder Ovo), aliás, eu descobri que o potinho de dentro do Kandir ovo aqui é coloridinho! O potinho de dentro desse é amarelinho!!!




Bom, a paisagem da Argentina continua chata com plantações de nada além de vacas...



Bom, só porque eu
reclamei (o que acontece com até certa freqüência) a paisagem da Argentina se transformou para algo que eu acredito que vc vá gostar...




Milhões de campos de girassol apareceram do nada no nosso caminho.. Lembrei tanto de você...




E senti tantas saudades...






Chegamos então na província da Patagônia...











Entramos na cidade de Santa Rosa, a cidade é mais simples que Santa Fé, onde passamos a noite de ontem... As mulheres já se vestem mal de novo, as crianças já parecem estar treinando para usar micro-saias e parecemos estar de volta a Santo Amaro...
As lojas fechadas e ainda assim um bando de gente olhando já que deixam tudo aceso e ligado...
É uma cidade meio... Sei lá... Baixo Astral..
O Hotel é ajeitadinho, mas os quartinhos são minúsculos e eles “não tinham vagas” para novos hóspedes (vagas para carros, não quartos)...

Bom, até aí, tudo bem, né?
Acontece que o nosso quarto é bem do lado do estacionamento e advinha?
Só tinham 3 carros lá... Nós achamos é que eles não tinham vagas para carros brasileiros...
Bom, ficamos empubescidos pq por causa disso tivemos que deixar os carros num estacionamento que é preciso deixar a chave o que já deixou eu, Tita e Márcia quase socando o pessoal desse hotel...
Os argentinos daqui devem ter um nível sócio-econômico-cultural absurdamente baixo.
São burros, de má-vontade, preconceituosos e são incapazes de notar que não estão nos fazendo favor nenhum...
Muito pelo contrário, que estão recebendo pelo trabalhinho meia-boca que estão fazendo...
Bom, saímos para jantar e andamos para caramba até achar algo aberto, e lá, advinha?
Mais preconceito...
Chegamos, escolhemos, pedimos e umas 3 famílias que chegaram e pediram DEPOIS de nós foram servidos antes...
A filha-da-putagem dessa gente já tava estressando todo mundo...
Até pq, pedimos a conta e o garçom saiu, foi até o balcão e voltou sem nada nas mãos: “Dá tanto...”
Poxa!!!! Como assim vc fala o valor e não trás comprovante nenhum?!?!?!??!
Tivemos que fazer o cara ficar refazendo as contas na nossa frente e para isso ele não tinha nenhum documento dele, NEM A COMANDA COM OS NOSSOS PEDIDOS!!!!!
Ele virou e: “Ah, ta bom, o que vcs pediram??”
E foi um tal de fala, divide, repete, ajeita...
Ainda assim deu um valor maior que o valor que ele tinha dito da primeira vez, e a gente acha que ainda ta errado, mas, estávamos com o saco tão cheio de tudo aquilo que resolvemos sair logo de lá...
Mas a filha-da-putagem da cidade ainda não tinha acabado... Eemos que deixar as chaves do hotel ao sair e quando saímos o ar-condicionado de todos os quartos estavam funcionando...
Quando voltamos o ar-condicionado do quarto da Márcia não ligava de jeito nenhum e a mulher num quis ir ver. Só quando a Márcia começou a falar mais alto e a ser sínica que a mulher mandou o ajudantezinho dela ir lá dar uma olhada...
Eu não sei no que deu pq já estava aqui em baixo usando o computador para terminar de digitar aqui e tentar falar com vc, amor...
Bom, vai dar um rolo aqui amanhã que eu não quero nem ver, mas, o jeito é esperar para ver o que acontece, te aviso amanhã pelo diário...
Agora, é só fechar o note, subir e cair na cama...
E ignorar essa cambada de argentino.

E, por sinal, tinha esquecido da melhor parte da volta, quando estávamos passando por um barzinho na frente da praça eu senti algo se roçando nas minhas pernas enquanto eu andava, fui olhar e advinha!!!!
Era um lindo filhotinho de labrador preto!!!
O nome dele era Susu. Não consegui tirar fotos pq ele não parava quieto e estava pulando tentando subir no meu colo, mas, ele era todo fofo e meigo e carinhoso e dengoso, com aqueles olhos puros e expressivos...
Lembrei de você e do Toninho aquele dia em Salto, e me deu ainda mais saudades...
O Tita disse que é pq os cachorros sabem quem tem o coração mole, que vai abaixar, pegar no colo fazer carinho, e realmente, eles tb vão direto na Márcia, mas, o filhotinho nem deu bola para ela, só ficou pulando em volta de mim, e foi super difícil de fazer ele voltar pra moça que tava tomando conta do bar lá...
Foi engraçado... Tava me sentindo tão triste, acho que o cachorrinho mudou isso para saudades suas..
Te amo muito.. E mal vejo a hora de voltar para os seus braços...